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domingo, 20 de março de 2011

Diminuição da gordura abdominal e treinamento intervalado

Se eu lhe dissesse que você pode promover uma perda acentuada de gordura na região abdominal sem que você precise comprar um equipamento milagroso da TV (que por sinal, não funciona), ou tomar medicamentos nocivos à sua saúde, ou ainda passar por algum tipo de procedimento invasivo, como cirurgia, você estaria interessado?

Pois no último post observamos a eficácia do treinamento intervalado de alta intensidade na redução da gordura corporal. Neste texto falarei mais sobre o impacto na perda de gordura abdominal, além de explicar os porquês da eficiência do método. Ao que tudo indica, essa pode ser uma estratégia para diminuir as indesejáveis gorduras localizadas na barriga.

Em recente pesquisa de Trapp e sua equipe, foi evidenciado que 15 semanas de treinamento intervalado de alta intensidade em bicicleta estacionária reduziu em média 10% da gordura abdominal em mulheres jovens. No mesmo caminho, Dunn publicou um estudo em 2009 onde houve perda de gordura abdominal de aproximadamente 6% após 12 semanas de treinamento. Apesar dos resultados significativos, as mulheres de ambos os estudos apresentavam relativamente pouca gordura abdominal, o que nos faz supor que esses resultados poderiam ser ainda maiores em indivíduos que possuem maiores depósitos de gordura na região do abdômen.

Um exemplo disso é o estudo de Boudou e equipe, onde foram estudados homens idosos com diabetes tipo 2. Após 8 semanas de treinamento intervalado houve redução de 44% da gordura abdominal, assim como no estudo de Mourier e colaboradores, que encontrou redução de 48% da gordura visceral em homens e mulheres com diabetes tipo 2.

Esses estudos mostram o impacto do treinamento intervalado de alta intensidade na perda da gordura abdominal. Agora tentaremos entender os possíveis mecanismos que tornam este método tão atraente.

Esse tipo de treinamento provoca um aumento de adrenalina e noradrenalina após o exercício, que são dois hormônios condutores da lipólise (“quebra” da molécula de gordura) e responsáveis pela liberação da gordura dos depósitos intramuscular e subcutâneo. Ainda, a região abdominal possui muitos receptores desses hormônios, fato que pode explicar os resultados expressivos de diminuição de gordura nessa região, citados anteriormente no texto.

O aumento na oxidação de gordura também pode ocorrer pela necessidade de remoção de alguns metabólitos resultantes desse tipo de esforço intenso, como lactato e íons H+, e pela ressíntese do glicogênio (um dos “combustíveis” utilizados no treinamento intervalado). Esses processos promovem gasto de energia que é advinda predominantemente do metabolismo das gorduras.

Outro hormônio que pode diminuir a adiposidade é o hormônio do crescimento (GH), que tem seus níveis elevados após o término de uma sessão de intervalados de alta intensidade.

Dessa forma, nesses dois últimos textos foram apresentados alguns estudos sobre o treinamento intervalado de alta intensidade e o respectivo impacto na perda de gordura corporal e especificamente da região abdominal, juntamente com os possíveis mecanismos que podem levar a esses resultados. No entanto, pesquisadores do tema sugerem novos estudos sobre esse tipo de exercício, bem como dos mecanismos envolvidos na perda de gordura. Assim, espero que esses textos o tenham ajudado a entender melhor sobre exercícios e emagrecimento, bem como a mudar o conceito equivocado de que o exercício aeróbio é a panacéia quando falamos em perder gordura.

RESUMO DO QUE VOCÊ LEU SOBRE EXERCÍCIOS E EMAGRECIMENTO:

--- Aeróbios tradicionais não funcionam para emagrecer;

--- Você não precisa ficar mais do que 20 minutos em exercício para começar a perder gordura;

--- Uma boa alimentação é FUNDAMENTAL para emagrecer;

--- Fazer apenas dieta diminui seu metabolismo, e a musculação ajuda a mantê-lo ou aumentá-lo, sendo MUITO IMPORTANTE no emagrecimento;

--- Treinamento intervalado de alta intensidade promove perda de gordura, principalmente da região abdominal. Por quê?

* aumento de adrenalina e noradrenalina, que conduzem a lipólise na região abdominal;

* remoção de lactato, H+ e ressíntese do glicogênio, que acabam gerando um gasto adicional de energia;

* aumento de GH.

15 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. O comentario de cima(apab) é o msm, so que estava em outro email

    Parabens mais um otimo topico...fica uma duvida e um pedido. Primeiro a duvida, qd vc coloca treino intervalado aumenta a remoção de lactato, o que vc quis falar com isso? qual seria a importancia?

    E o pedido era pra vc colocar os links ou pelo menos as referencias dos artigos citados por vc.
    Obrigado e mais uma vez parabens

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  3. 1 - Remoção do lactato: esse tipo de treino aumenta a concentração sanguínea de lactato pelo tipo de esforço realizado. Esse lactato não permanece no corpo, sendo removido até que volte aos níveis de repouso, e esse processo promove um gasto de energia (assim como a remoção dos H+).

    2 - Tu gostaria das referências desse texto apenas? Tenho algumas impressas e outras em pdf. Posso te passar por e-mail o que tenho, mas vou citar todas pra ti.

    Abraço!

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  4. William, entendi essa parte que o treino promove um aumento na concentração de lactato, o que quis perguntar foi se voce acha que é uma remoção por se tratar de uma substancia malefica, ou seria utiizada durante o repouso como fonte energetica atraves da gliconeogenese??
    Accha que existe relação do lactato com fadiga ou DMIT?
    agradeceria mt se pudesse me passar o que tem por email...
    as4veloso@gmail.com
    o mais urgente que gostaria era a referencia sobre treinamente intervalado msm...
    abraço e valeu pela atenção

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  5. Não, maléfica certamente não é! Não causa fadiga, não tem relação com dores musculares e pode ser utilizado como energia.

    Te mando as referências amanhã. Se tu puder me enviar um e-mail (pra esse do blog [yahoo] mesmo) eu agradeço, porque amanhã abro meu e-mail e já te envio.

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  6. Willian não achei seu email...
    o meu é as4veloso@gmail.com

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  7. Willianobrigado pelos artigos...

    podia fazer um post sore aerobio em jejum, pratica muito utilizada hoje em dia.
    Abs

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  8. William, tópico bastante interessante.
    Se pudesse, eu tb gostaria de receber os artigos relacionados aos estudos envolvendo os treinamentos intervalados, para saber melhor sobre as intensidades utilizadas, bem como tempo de intervalo. O email é marcoszanco@gmail.com

    Obrigado,

    Marcos.

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  9. Marcos,
    Parabéns pelo blog.
    Se pudesse, eu tb gostaria de receber os artigos relacionados aos estudos envolvendo os treinamentos intervalados, para saber melhor sobre as intensidades utilizadas, bem como tempo de intervalo. O email é wagnercapacete@yahoo.com.br

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  10. Oi li seu artigo o treinamento intervalado de alta intensidade, estou fazendo intervalo de uma dia sim e outro de repouso, sendo 30 minutos de caminhada e 30 minutos de corrida, ja tem, 2 meses, vi que minhas pernas estão ficando linda mais meu abdomem não diminuiu, preciso de ajuda sera que ando fazendo algo de errado? sendo que tbm mudei minha alimentação.

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  11. Olá,
    William

    Parabéns pela publicação, poderia me enviar por e-mail os artigos que extraiu estas informações, ou referencias para que possa baixar pela internet,

    e-mail: adrianobarufi@gmail.com
    att,

    Prof. Adriano

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  12. Muito bom, mas fiquei com uma dúvida:

    É mais eficiente malhar antes ou depois do exercício intervalado?

    agradeço a resposta

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  13. Poderia colocar um esquema de treino intervalado com bicicleta? Spinning funciona semelhante?

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  14. Tenho a mesma duvida da Elena. Fazer o intervalado antes ou depois da musculação?

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  15. http://www.treinohardcore.com/Aerobicos_intervalados_x_queima_de_gordura.htm

    Neste artigo o autor defende que o corpo consome gordura no treino aeróbico e consome acúcares no treino anaeróbico. No intervalado, o corpo atinge regime de treino anaeróbico durante o tiro e estaria consumindo glicose. Ou seja, melhor seria permanecer sempre no regime aeróbico e consumir todo o tempo apenas gordura.

    Temos aí um ponto de vista oposto ao que foi informado no seu artigo.

    Pode esclarecer para quem não entende muito do assunto? Será que algo foi esquecido no artigo dele?

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